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Censura16
As bombas em Lisboa (*)


Conforme foi largamente noticiado, verificaram-se, na tarde do dia 9 e na madrugada do dia 10, explosões em três estabelecimentos militares da cidade de Lisboa.

Nenhuma organização reivindicou a autoria dos atentados bombistas que causaram elevados prejuízos no Distrito de Recrutamento e Mobilização n.º 1 (Av. de Berna), no Quartel Mestre General (R. Rodrigo da Fonseca) e nos Serviços Mecanográficos do Exército (Largo da Graça).
Não foi rejeitada a hipótese de que os dois mortos que as explosões causaram fossem os próprios autores dos atentados, hipótese que aliás também se pôs no único caso mortal verificado anteriormente, em consequência dos diversos atentados verificados nos últimos anos e que, de uma forma geral, têm visado instalações militares ou de algum modo relacionadas com a actividade do aparelho militar português.
Transcrevemos do «Diário de Lisboa», de 10 do corrente, a seguinte cronologia, que começa com a primeira intervenção da ARA (Acção Revolucionária Armada), o braço armado do PCP:
Durante os últimos três anos, mais precisamente desde 26 de Outubro de 1970, aconteceram variadas explosões em diversos locais militares ou não. Assim naquela data, explodiu uma bomba a bordo do navio «Cunene» que se encontrava, na altura, atracado no Cais da Rocha do Conde de Óbidos. Cerca de um mês depois, a 21 de Novembro, Lisboa foi alertada por mais uma explosão, junto da entrada da Escola Prática da antiga PIDE (actualmente DGS), em Sete Rios, na qual morreu um jovem. Dias depois verificaram-se mais explosões no Cais da Fundição e no Centro Cultural da Embaixada dos Estados Unidos.
No ano seguinte, no dia 8 de Março, vários engenhos explosivos destruíram ou danificaram aviões militares e helicópteros da base aérea de Tancos. O dia 13 de Junho ficaria assinalado com rebentamentos em postes telegráficos e na Estação dos Correios da Praça de D. Carlos I, quando se encontrava reunido em Lisboa o Conselho Ministerial da NATO, afectando as comunicações telefónicas e telegráficas com o estrangeiro. Em 26 de Julho não se chegou a verificar explosão porque a carga de plástico que tinha sido colocada numa lancha da Marinha em construção nos estaleiros da Figueira da Foz foi detectada. A data de 27 de Outubro do mesmo ano, um dia antes da inauguração oficial, foram sabotadas as instalações da NATO (Comiberlant), em Oeiras. Em Novembro, respectivamente a 7 e a 12, explodiram cargas nas instalações da NATO, na Fonte da Telha, e em canhões de Santo António da Charneca.
No ano passado começou por se registar, em 12 de Janeiro, o rebentamento de duas cargas em bagagem que em breve seriam embarcadas no navio «Muxima», prestes a largar para Moçambique. Em 11 de Julho, onze bombas explodiram na Berliet, em Olivais, danificando 14 viaturas pesadas que tinham sido encomendadas pelo Exército e três carros particulares. Alguns dias mais tarde, a 9 de Agosto, explosões em postes de alta tensão danificaram e destruíram a rede principal de abastecimento de energia eléctrica ao País. No dia 26 de Setembro, duas estações de rádio, uma em Palmela e outra em Sesimbra, da Rádio Marcóni, para comunicações intercontinentais (América e África do Sul) foram afectadas por rebentamentos. No dia 31 de Dezembro petardos destinados a espalharem panfletos rebentaram em diversos locais da cidade de Lisboa (Estação de Sul e Sueste, Santa Apolónia, Cais do Sodré, Moscavide, etc.) incitando a população a concentrar-se no Largo do Rato, para as comemorações do Dia Mundial da Paz. No dia 6 de Janeiro mais onze engenhos do mesmo tipo explodiram em diversos locais de Lisboa.

(*) Cortes de Censura a vermelho.


Ficha
Notícias da Amadora
Edição nº 600
de 1973-03-17
Título: As bombas em Lisboa (*)
Assunto:
Autoria: Não identificado
Nº de prova(s): 24-26
Enviada a Exame prévio em 1973-03-13
Decisão: autorizada parcialmente
Nº de linguados: 3
Largura da coluna: 4,2cm
Comprimento total: 57cm




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